sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Colunas

Diego Melo de Abreu

19/03/2012
O PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO DAS AULAS DE MINI-HANDEBOL O PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO DAS AULAS DE MINI-HANDEBOL

Com certeza este artigo não é pra qualquer pessoa, e sim, voltado para profissionais da área, estudantes de educação física. 

O PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO DAS AULAS DE MINI-HANDEBOL

Um guia prático para aulas nota 10! 

Olá amigos do handebol! É com enorme satisfação que volto a escrever ao Mundo do Handebol.

Começo nossa matéria com um indicador interessante sobre nossa atividade: coincidência ou não, o país onde o mini-handebol foi inventado é o mais novo campeão europeu masculino – a Dinamarca.

Neste artigo abordaremos um assunto a primeira vista simples, mas que desmembrado mostra toda a complexidade interdisciplinar inerente ao cotidiano dos professores, técnicos e educadores: o planejamento e organização das aulas de mini-handebol.

Bons resultados são frutos de bons trabalhos, competência profissional, conhecimento dos temas e planejamento de objetivos, principalmente na área educacional e esportiva, portanto, este guia visa ilustrar de maneira simples, direta e concisa as particularidades e cuidados que devemos nos ater ao planejar nossas aulas e atividades. Vamos ao assunto:

1. OBJETIVOS DAS AULAS

Professores de mini-handebol devem entrar em aula sabendo que durante esta fase tão importante do desenvolvimento das crianças temos inúmeros objetivos a cumprir, entre eles:

a) Educacional: o educador deve promover a construção do conhecimento, importar assuntos de outras disciplinas às aulas sempre que possível, fazer analogias do cotidiano com assuntos pertinentes à formação da cultura e proporcionar formas de desenvolver o aspecto cognitivo dos educandos.

b) Formar o cidadão: temas como socialização, respeito, solidariedade, controle emocional, atitudinal etc, devem ser intrínsecos ao nosso cotidiano;

c) Desenvolvimento Integral: o professor de educação física deve promover durante as atividades uma gama de estímulos que possam desenvolver as capacidades motoras, cognitivas, sócias, perceptivas, biológicas e psicológicas dos alunos;

d) Desenvolvimento técnico: bons professores de matemática ensinam temas específicos da sua disciplina, como: cálculos, fórmulas, resolução de problemas etc. Bons professores de geografia mostram aos educandos temas sobre o mundo em geral, países, relevos e até tipos de nuvens. Portanto, professor de Educação Física, é nosso dever promover efacilitar o aperfeiçoamento técnico, científico e cultural das pessoas sob sua orientação profissional, otimizar as atividades, oferecer riquezas e diversidade de ações motoras, demonstrar e corrigir técnicas, facilitar e ilustrar tomadas de decisão, tornar a prática prazerosa e divertida. Proporcionar ao aluno a oportunidade de obter sucesso nas ações de jogo.

e) Motivacional: Estudos recentes de pesquisadores da Universidade de Leiden, na Holanda, examinaram em aparelhos de ressonância magnética as reações neuronais de crianças de diversas idades submetidas aos estímulos básicos de todo processo educacional: aprovação e reprovação. As conclusões mostram que até os oito anos de idade só incentivos funcionam, revelando que só mais tarde a criança passa a entender as críticas negativas e a aprender com os erros. Portanto, segundo este estudo, devemos tomar cuidado nas frases e estímulos usados durante esta fase para obtermos resultados positivos e satisfatórios.

2. CONTEÚDO DAS AULAS

O conhecimento das características das crianças, dos conteúdos específicos da educação física escolar e do mini-handebol fazem toda a diferença nos resultados que obteremos em nossas aulas. Algumas questões são obrigatórias no momento do planejamento das atividades:

a) Tenho conhecimento sobre as características gerais de cada idade e como desenvolver as capacidades referentes a cada uma delas? Qual o conteúdo a ser aplicado de acordo com cada idade e por quê?R: Devemos estudar as características motoras, cognitivas, sociais, biológicas e psicológicas de cada idade presente no mini-handebol, pois os conteúdos e abordagens práticas são diferentes nestas fases iniciais.

Neste artigo publicado no site EFDEPORTES falo mais detalhadamente sobre o tema: http://www.efdeportes.com/efd124/atividades-e-jogos-para-criancas-no-mini-handebol.htm

b) Posso separar meninos e meninas?R: Use o bom censo. Em atividades onde não haja problema na diferença de estrutura física, natural entre meninos e meninas, os conteúdos podem ser aplicados normalmente.

Já algumas experiências demonstram que em exercícios de maior contato físico é prudente separarmos os naipes para que a disparidade física não atrapalhe o bom andamento do processo de desenvolvimento integral dos alunos. Algo natural que posteriormente, nas categorias de competição, acontecerá a todo instante.

c) Qual o nível de desenvolvimento geral da turma?R: Devemos conhecer muito bem nossos alunos e as turmas como um todo. Não podemos aplicar atividades que os alunos não tenham capacidade global de executar/entender. Portanto, qual o estágio motor, cognitivo, social e psicológico dos alunos? Eles são capazes de realizar as tarefas solicitadas de acordo com o histórico de vivência e desenvolvimento destes itens citados? Tenho condições de promover estímulos que desenvolvam estes aspectos e qual o período de tempo que preciso para isto?

d) Em relação ao mini-handebol, qual o entendimento dos alunos sobre as atividades? As atividades escolhidas para a aula são condizentes com a idade e com poder de proporcionar desenvolvimento aos alunos?R: Como aplicar o conteúdo “jogo de mini-handebol” sem uma vivência que permita a prática de forma correta? A seqüência pedagógica, assim como o entendimento de regras e ações devem ser muito bem trabalhadas durante as aulas para que o jogo propriamente dito possa ser aplicado posteriormente com tranqüilidade e domínio por parte dos praticantes.

e) Quais as maiores dificuldades gerais da turma durante a aula? Quais as maiores qualidades da turma?R: Devemos analisar os conteúdos aplicados, as vivências e experiências anteriores, se foram satisfatórias ou se algum conteúdo precisa ser retomado. Os conteúdos realizados de forma satisfatória não podem ser esquecidos, caso contrário teremos futuramente duas áreas deficientes ou com resultados medianos. Refletir se o tipo de aula planejado e posteriormente aplicado sana estes problemas é um ótimo começo, assim como produzir relatórios de controle dos resultados destas aulas é uma tarefa obrigatória para que o professor tenha meios de acompanhar de fato o desenvolvimento global do trabalho.

e) Qual o objetivo principal de sua aula?R: Nunca podemos esquecer dos cinco itens que formam o capítulo “objetivos”, todavia, toda aula tem um tema principal. Exemplo: Estamos iniciando o ano letivo e faremos uma aula baseada na verificação de habilidades gerais e socialização dos educandos. Portanto, o foco principal da aula nesta ocasião será este conteúdo aliado aos objetivos gerais.

2. RECURSOS MATERIAIS E HUMANOS:

A quantidade de materiais disponíveis e professores presentes na aula com certeza fazem a diferença em um planejamento. Assim como lecionar em uma quadra descoberta faz com que o professor sempre tenha um plano “B” pronto para ser usado.

Veremos alguns tópicos que auxiliarão muito na aplicação prática da nossa aula:

a) Recursos humanos: Quantos professores ou estagiários participam diretamente na aula?R: Um fato é estar sozinho ministrando uma aula, outro é ter consigo um auxiliar ou estagiário. Analise: é possível o gerenciamento das atividades propostas sozinho? Há necessidade de mais profissionais auxiliando? Tenho condições de conseguir mais recursos humanos? Caso tenha que deixar a turma por qualquer motivo, a disciplina e o bom andamento da atividade estão garantidos? Pense nestes itens antes de rabiscar a prancheta.

b) Qual espaço físico tenho disponível?R: Verifique se o local é descoberto ou coberto e se oferece segurança aos alunos para a prática esportiva. Caso tenha que adaptar uma atividade verifique se há necessidade e condições de modificações no espaço físico. Otimize os espaços, torne a aula dinâmica e agradável.

c) Qual o tipo e quanto destes materiais tenho disponível?R: De nada adianta a brilhante idéia de ver aqueles exercícios maravilhosos no site da EHF e não possuir metade dos materiais necessários para a aplicação prática deles. Devemos analisar se o material que temos disponíveis é suficiente para o que planejamos em nossa aula, se há necessidade e condições de se obter mais materiais e se posso ou devo adaptar materiais.

d) Possuo recursos didáticos suficientes para minha aula?R: O famoso “quer que eu desenhe?” acredite, funciona – e muito! Isto porque alguns alunos não conseguem imaginar e organizar de forma lógica o que o professor pede. Lousa, quadro branco, prancheta, tablets e até mesmo um caderno serve para ilustrar de fato aquilo o que você solicita. Além disto, o professor de mini-handebol deve sempre estar disposto a prender a atenção dos alunos de uma forma simples e divertida. Tudo em prol do desenvolvimento integral.

3. TEMPO DE AULA E CONDUÇÃO DAS ATIVIDADES:

O tempo ideal de uma aula de mini-handebol é de 45 minutos a 1 hora de duração, mas este tempo pode variar de acordo com o local onde ministramos as aulas. De qualquer modo devemos planejar as aulas contando com intervalos para montar exercícios, imprevistos, avisos gerais, trajetos de um local a outro (se houver), enfim, vamos aos detalhes:

a) Preparação da aula, como proceder?R: Nesta fase o professor já estará com todo o planejamento da aula pronto. Verifique antes da aula se o material que será utilizado para as atividades já está disponível e em condições de uso. Separe este material e evite que os alunos tenham acesso ao material deixando em um local mais isolado ou mesmo fechado. O local da aula já está liberado e em condições de uso? Caso não esteja, tenho condições de manter este planejamento usando outro local ou terei de usar o plano “B”?

b) Boas-vindas à aula:R: Explique aos alunos o objetivo da aula, faça uma breve explicação sobre o conteúdo, realize a chamada e obrigações burocráticas,  ouça sugestões e tire as dúvidas caso haja. Nesta fase não demoramos mais que 5 minutos para realizar todo o procedimento caso a disciplina e a ordem sejam mantidas.

c) Parte inicial: o que devemos aplicar?R: As atividades iniciais geralmente são compostas de jogos para aquecimento corporal aliados às questões de objetivos gerais e podem durar de 10 a 15 minutos de pendendo da temperatura ambiente ou até mesmo de fatores lúdicos. Podemos aplicar dois ou mais jogos nesta fase da aula e o conteúdo destas atividades devem estar ligados ao objetivo geral proposto pelo professor.

d) Parte principal: Gerenciando as atividades.R: Temos que nos ater a diversos pontos durante a execução das atividades principais propostas no planejamento.

Se temos 30 minutos de parte principal saiba que alguns minutos deste tempo devem ser reservados para a montagem e explicação das atividades, possíveis intervenções didáticas e modificações estruturais ou de estímulos.

As correções podem ser coletivas ou individuais, mas lembre-se: quanto menos pararmos os exercícios, melhor. Os elogios sinceros aos progressos são importantes nesta fase da infância e motivam ainda mais os educandos.

Sempre tenha o cuidado de verificar se os alunos estão hidratados e com a integridade física assegurada durante a execução do que foi solicitado.

f) Parte final da aula: Volta à calma.R: Ao término das atividades devemos promover um momento de relaxamento geral dos alunos.

Uma boa dica é fazer com que eles sentem em uma roda para conversar sobre a aula, as atitudes nos jogos, os exercícios e atividades. O professor deve mediar esta conversa para exageros não serem cometidos por parte dos alunos.

Esta é uma forma de o professor obter também um feedback do que ocorreu e como os alunos estão enxergando a aula.

Logo após a conversa o professor deve dar seu parecer sobre os fatos ocorridos de maneira que os alunos consigam compreender onde estão obtendo sucesso e onde eles podem melhorar.

Caso tenham algum recado, bilhete, autorização ou algo por escrito para entregar aos educandos este momento da aula é o ideal.

4. ANOTAÇÕES APÓS A AULA:

As observações do professor, assim como a documentação de alguns fatos, são primordiais para a análise e o posterior planejamento de aulas futuras.

Alguns professores ministram aulas em muitos lugares, possuem muitas turmas e alunos e fica relativamente complicado lembrar de todos os detalhes de todas as aulas.

Portanto, o final da aula deve ser reservado para anotações gerais sobre alguns pontos específicos:

a) Ocorrências durante a aula de cunho educacional, tais como: Brigas verbais ou físicas, bullying, desrespeito, desanimação, problemas;

b) Dificuldades: Motoras, cognitivas, sociais e psicológicas e em relação ao mini-handebol;

c) Progressos: Motores, cognitivos, sociais, psicológicos e em relação ao mini-handebol;

d) Andamento dos exercícios: Organização, comportamento dos alunos, desenvolvimento, como posso melhorar etc;

e) Anotações gerais para a próxima aula: Conteúdos interessantes, correções individuais e coletivas, novos estímulos etc.

5. CONCLUSÃO:

Este guia é apenas uma sugestão de procedimentos e organizações lógicas para que as aulas de mini-handebol possam render a todos os envolvidos no processo resultados mais satisfatórios. 

Quantos de nós não lembramos de boas aulas de educação física na infância e como sabemos o valor que elas representam até hoje em nossa vidas. Como era bom brincar, estar com os amigos, fazer gols, fazer novos amigos, sentir-se importante e vencedor nem que fosse somente durante aqueles 50 minutos de aula...

Com o passar dos anos este guia estará naturalmente incorporado à maneira de como você, professor de mini-handebol, ministra e conduz sua aula e quando isto acontecer você terá a certeza que os anos de estudos e dedicação em planejamentos serão recompensados ao olhar a evolução e desenvolvimento dos teus alunos.

Espero que tenham gostado da matéria! Dúvidas, sugestões, críticas e elogios? Fiquem a vontade: diego.abreu@metodista.br

Um grande abraço a todos e até a próxima matéria!

Professor Especialista Diego Melo de Abreu (CREF 054371 – G/SP)

  • Licenciado e Bacharel em Educação Física;
  • Graduado em Educação Física pela Universidade Metodista de São Paulo.
  • Pós-Graduado em Educação Física Escolar pela FMU/SP.
  • Pós-Graduado em Handebol pela UNIFIL/PR.
  • Docente do curso de Educação Física da Universidade Metodista de São Paulo nas disciplinas de Handebol e Educação Física Escolar.
  • Professor de Mini-handebol e handebol do projeto Escola de Esportes da Metodista/São Bernardo/Besni – São Bernardo do Campo/SP.
  • Professor de Educação Física, técnico de handebol e professor de Mini-Handebol do Colégio Integrado Americano – São Bernardo do Campo/SP.
  • Técnico de handebol das equipes de competição da Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo-/SP.
Diego Mello


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